segunda-feira, 8 de março de 2010

TSD - É VOCÊ NO MURO!

Seção "Túnel do Tempo" - Reedição de texto publicado pelo DAMED-UFBA em um jornal-informativo distribuído no ato de 1º de Abril de 2009. Se você não se lembra do ato, ou não lembra do jornal, ou não estava na FAMEB-UFBa na época, e estiver a fim de entender o que está acontecendo, leia.


O TSD, ou TERMO DE SANEAMENTO DE DEFICIÊNCIAS, é um documento enviado pelo MEC para as Faculdades que obtiveram “rendimento insatisfatório no ENADE” (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). Funciona como um “contrato”, a ser assinado pela “instituição reprovada”, que estabelece metas a serem cumpridas e prazos para essas metas.


A FMB-UFBA também recebeu o seu TSD. Sabe como ele foi construído?


Em novembro de 2008 a nossa Faculdade recebeu uma Comissão de Supervisão instituída pelo MEC para avaliála, conversando com Professores, Funcionários e Estudantes – dos mais variados semestres – analisando documentos em que a FMB, desde 2004, expõe suas deficiências e exige condições para melhorar seu funcionamento e visitando os campos de prática (Hospital Universitário Professor Edugar Santos – HUPES -, e Centro de Integração Universidade Comunidade Pelourinho - Terreiro de Jesus). Dessas visitas, leituras e conversas nasceu um relatório – que engloba, basicamente, todas as reivindicações feitas pela Faculdade e por seus estudantes desde 2004 (Greve Estudantil) – e esse relatório deu origem ao “nosso” TSD: ele coloca como metas a serem alcançadas a solução dos problemas de que tanto nos queixamos nos últimos 05 anos.


Olhando grosseiramente, até aqui não há nada de errado, não é?


Tem um ditado popular que diz assim: “Quando a esmola é demais, o santo desconfia”. E, nesse caso, o problema é que a esmola é nenhuma: A Faculdade tem até o final do ano para resolver as deficiências que ela mesma listou, NÃO VAI RECEBER NENHUM CENTAVO A MAIS PARA ISSO e, se não se adequar, pode sofrer sanções – dentre elas, o seu FECHAMENTO. As exigências do MEC vão de um Laboratório de Habilidades – orçado em cerca de R$ 500.000,00 – à reestruturação da atenção básica à saúde em Salvador, passando também pela reabertura das enfermarias fechadas no HUPES. Ainda que haja problemas que, sozinha, a FMB não resolve (ela não manda no HUPES e nem na Saúde de Salvador), NÃO TEM COMO FAZER NADA DISSO SEM DINHEIRO.


O BOICOTE AO ENADE


Um dos grandes motivos de, NACIONALMENTE, TODAS AS EXECUTIVAS DE CURSO (MovimentoEstudantil) PUXAREM O BOICOTE AO ENADE é esse: Apesar de saber que o Ensino Público Superior é feito “nas coxas”, via “vários jeitinhos” que garantem a continuidade dos cursos em condições precárias, o MEC não traz como proposta para as Universidades o auxílio para que elas melhorem, através da destinação de mais verbas. A solução encontrada é a de PUNIR – porque tirar nota alta no ENADE também não garante mais verba pro curso, apenas gera um dado, bem mascarado, de que aquela faculdade vai muito bem, obrigado. E isso é uma grande mentira. Agora, uma dúvida ainda paira no ar: como uma faculdade que já vai mal, cronicamente, pela falta de recursos, vai se adequar a um padrão 05 estrelas em um ano sem receber verba a mais para isso? É possível?



ÓBVIO QUE NÃO!!!


E PORQUE BOICOTAMOS?


Ora, se pela vontade do MEC não vai vir mais dinheiro, independentemente de uma nota 05 ou uma nota 01, e os problemas que nós já enfrentamos continuarão a existir e, pior, serão mascarados pela nota alta, O BOICOTE SURGIU COMO A ÚNICA POSSIBILIDADE DE FAZER O MEC ADMITIR, TEXTUALMENTE, QUE OS PROBLEMAS QUE DIZEMOS TER NO DIA-A-DIA DO NOSSO CURSO EXISTEM E PRECISAM SER RESOLVIDOS. E com esse documento na mão podemos, publicamente, colocar o MEC numa “sinuca de bico”, e pressioná-lo para que os recursos necessários realmente venham.


E EU COM ISSO?


A frase mais adequada, “na real”, seria “e nós com isso”. Porque esse é um problema nosso, coletivo – de estudantes, professores e funcionários. A depender da nossa postura diante da realidade de nossas faculdades, dos problemas crônicos, é que as coisas podem mudar.

Esse desfecho, sem um “fecho” propriamente dito, está, em parte, nas nossas mãos. Basta que nos doemos: não apenas em prol do próximo, mas sobretudo em prol do que achamos ser o mais justo, digno e coerente para o ensino-aprendizado da Medicina. A alma das instituições, a bem da verdade, é a alma das pessoas que (con)vivem nela, é isso que lhes dá vida. Nós, estudantes, fazemos parte disso.


E EM QUE PÉ ESTÁ AGORA?

(AGORA: ABRIL DE 2009)


Na última semana, foi publicada por toda a imprensa a notícia de que o MAGNÍFICO GENERAL NAOMAR MONTEIRO DE ALMEIDA FILHO (reitor que depois de mais de 20 anos do fim da ditadura mandou a polícia invadir o campus pra bater e prender estudante não pode ser tratado de outra forma), “conseguiu” junto ao Ministério da Educação (MEC) a promessa de liberação de 2,5 milhões de reais para a FMB-UFBa, além do reconhecimento que a responsabilidade de custear o que está previsto no TSD é do MEC (o ÓBVIO!).


Entretanto, é bom se ligar no seguinte: 1) Não foi a Reitoria quem conseguiu, e sim a pressão gerada pelo boicote estudantil ao ENADE e a nossa nota 3. 2) Essa verba ainda NÃO EXISTE FORMALMENTE – NÃO HÁ NENHUM DOCUMENTO ASSINADO PELO MEC DESTINANDO VERBA EXTRA PARA A FMB-UFBA. E, depois, não é a primeira vez na história – do Brasil, da Faculdade de Medicina da Bahia – que se faz propaganda, se não em cima de falsas-verdades, em cima de promessas que não se concrertizaram e que poderão – ou não – se concretizar. Essa verba é mais um exemplo. Mas não nos esqueçamos, por exemplo, da “adesão da UFBA ao REUNI”, que nunca foi aprovada; o protagonismo do Mag. General na implantação do Programa de Ações Afirmativas, que nunca existiu (é, sim, do Movimento Negro/Movimento Estudantil); ou a defesa do Mag. General à expulsão da Fundação Bahiana de Cardiologia do HUPES, que também é lenda: a reitoria foi a favor da permanência da Fundação que, mesmo tendo o contrato rompido, lucrou e muito na saída – levou, roubando, 97% dos equipamentos da Unidade de Cirurgia Cardiovascular do nosso Hospital e nos deve, até hoje, cerca de R$ 40 milhões, que a UFBA (leia-se Reitoria da UFBA) é morosa em cobrar (leia-se: não cobra).


Embora essa suposta verba de R$ 2,5 milhões não solucione todos os nossos problemas (o orçamento feito pela Congregação da FMB para o TSD foi de 3,5 milhões), é um valor bastante significativo e que daria para resolver um bocado de coisa. Só que é o seguinte: o que existe de concreto é uma CARTA, e só uma CARTA da reitoria para a FMB indicando o “comprometimento” do MEC! Como diz velho ditado, “gato escaldado tem medo de água fria”. Donde se conclui que se um documento, assinado pelo Mag. General Naomar, que ainda não é o Ministro da Educação (por mais queira), não garante alocação de verba pra FMB-UFBA, só nos resta uma única coisa a fazer: continuar mobilizados, e pressionando, mais do que nunca, todas as instâncias possíveis e cabíveis para que esse dinheiro, de fato, venha. E é isso que estamos fazendo.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

PRÉVIA DO RESULTADO - ELEIÇÕES DCE-UFBA 2009

PRÉVIA DO RESULTADO ELEITORAL


Galera,

Os números oficiais de todas as urnas da UFBA ainda não foram disponibilizados nas listas de e-mail (
dce-ufba@yahoogrupos.com.br), nem sites, nem blogs, etc. As informações que nós temos foram obtidas ao vivo, na manhã de sexta-feira, antes do final da apuração das urnas dos três campi (Salvador, Barreiras e Vitória da Conquista) que foi realizada na Escola de Administração.

Não sabemos o número total de votantes, mas POR UMA DIFERENÇA GLOBAL DE APROXIMADAMENTE 330 VOTOS DA SEGUNDA COLOCADA, A CHAPA 03 FOI ELEITA A GESTÃO 2008-2009 DO DCE-UFBA. A SEGUNDA COLOCADA FOI A CHAPA 01.

Fizemos questão de pegar o mapeamento das urnas da FAMEB. Na nossa casa, o resultado foi esse:

Total de estudantes de Medicina que votaram: 250

Chapa 01 - 41 votos (Flores de Maio, UJS e DS-PT)
Chapa 02 - 27 votos (Juventude e Revolução/PT)
Chapa 03 - 171 votos (Articulação de Esquerda/PT)
Chapa 04 - 07 votos (PSTU,PSOL e Independentes)
Votos nulos/brancos: 04 votos

Total de votos contra a chapa 01: 205

Então, o DAMED-UFBA vem agradecer a participação dos estudantes da FAMEB no pleito pra gestão do DCE, sobretudo à participação e adesão à campanha de voto contrário à Chapa 01. Viu que você realmente fez a diferença?

Nos comprometemos a publicar o resultado eleitoral na íntegra, via mail, no blog e em cartazes pela faculdade assim que este estiver disponível.

No mais, desde a última ordinária, estamos discutindo, dentre outras outras coisas, a participação dos estudantes de Medicina nos processos de mobilização dos estudantes da UFBa, que deverão se acirrar no ano que vem, por conta do ingresso dos estudantes do REUNI/Universidade Nova numa Universidade sem a menor estrutura para recebê-los (sem prédio, sem concurso de funcionário e de profesores realizado... sem nada). E fica o convite - já que fizemos a diferença nas urnas, temos o compromisso de fazer a diferença no dia-a-dia também.

Abraços!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

PORQUE VOTAR CONTRA A CHAPA 1

Gente,
Como vocês devem ter percebido, DIAS 05 e 06 ACONTECERÃO AS ELEIÇÕES PARA A GESTÃO 2009 DO DCE-UFBA. Diferentemente dos anos anteriores, não há nenhum membro da gestão do DAMED em nenhuma chapa que está disputando esta eleição. Entretanto, na última reunião ordinária do DA (quinta-feira passada, dia 30/10), depois de discutir o contexto político das eleições, decidimos puxar uma campanha contrária à Chapa 1, "Por todos os Sonhos, Por todas as Lutas".
O texto abaixo é um documento oficial do DAMED explicando, em 10 itens, porque é preciso votar contra a chapa 1. Além desses 10 motivos, há um mais recente:
todos os cartazes da campanha "PORQUE VOTAR CONTRA A CHAPA 1" colocados pelo DAMED nos espaços da Faculdade, inclusive no mural do DAMED, foram retirados das paredes por membros da chapa 1 que, assim como algumas autoridades da UFBA, têm a CENSURA COMO PRÁTICA POLÍTICA.


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POR QUE VOTAR CONTRA A CHAPA 01


Quem são eles ?


São, em sua maioria, militantes da juventude de três grandes campos políticos - União da Juventude Socialista (UJS-PC do B); Flores de Maio (Juventude da Articulação Unidade na Luta – PT; PTD, PTB, etc) e juventude da Democracia Socialista (DS-PT) – que usam as entidades estudantis como correia de transmissão dos interesses desses campos políticos, desrespeitando as decisões das assembléias estudantis, vendendo o movimento e se mantendo vivos através da política da MENTIRA. Exemplos não faltam:
1) LEMBRA DA ÚLTIMA ELEIÇÃO DO DCE UFBA, quando TODOS OS ESTUDANTES DE MEDICINA FORAM TAXADOS DE RACISTAS PELA CHAPA "Eu Quero Botar meu Bloco na Rua"?

2) Que, APESAR DA NOSSA FACULDADE SER A ÚNICA DA UFBA QUE SE POSICIONOU EM ASSEMBLÉIA GERAL A FAVOR DAS COTAS (2003), SEMPRE EXISTE UM GRUPELHO NO MOVIMENTO ESTUDANTIL NOS ACUSANDO DE ANTI-COTAS E RACISTAS?
3) QUE DESDE 2004 O VIDRO DA PORTA DA FRENTE DA FMB ATÉ HOJE ESTÁ QUEBRADO PORQUE, EM 2004, DURANTE UMA PASSEATA DEMAGOGA DE 10 PESSOAS CONTRA O "RACISMO DA FMB-UFBA", UMA PEDRA GOLPEOU A VIDRAÇA DA FACULDADE?


Pois é... SÃO ELES.
4) Durante a Greve de 2004 essa mesma galera que hoje se propõe a representar os estudantes da UFBA enquanto gestão do DCE-UFBA desrespeitou, reiteradamente, deliberações de assembléias gerais e reuniões de DA's e CA's (CEB's) nos Conselhos Superiores (CONSEPE e CONSUNI), votando contra o que os estudantes, juntos, haviam decidido democraticamente. Todo mundo sabe que um DA, ou uma de DCE, tem de representar o que é decidido coletivamente pelos estudantes nas suas reuniões (ordinárias, assembléias), concordando ou não com o que foi decidido. ELES NÃO RESPEITAM ESSE DIREITO SEU. Se a greve de 2004 durou 04 meses, e teve conquistas importantes, mas limitadas para o Movimento Estudantil da UFBA, os grandes responsáveis são eles;

5) Um dos três estudantes de Medicina na chapa 01, Marcus Pagani, era estudante do curso de Engenharia Elétrica durante a greve de 2004, e FOI DESTITUÍDO POR UMA ASSEMBLÉIA GERAL QUE CONTOU COM MAIS DE 1500 ESTUDANTES POR TER TRAÍDO O MOVIMENTO E VOTADO CONTRA AS PROPOSTAS DEFINIDAS EM ASSEMBLÉIA PARA SEREM DEFENDIDAS PELO DCE NO CONSEPE.
6) São esses os grupos políticos que fazem da UNE, UBES e UEB entidades que só aparecem para roubar dinheiro dos estudantes na época de confeccionar as carterinhas estudantis. Basta lembrar que o selo de meia entrada que colocam no SSACard, que destina mais de R$ 5,00 por cartão pra essa galera. O que é que eles fazem com essa grana?

7) Essa é a galera que defende o REUNI, a Universidade Nova e Reforma Universitária. Se você não concorda politicamente com isso, tê-los como gestão do DCE, sabendo que não respeitam as deliberações das assembléias e das reuniões de DA e CA é a maior roubada. A nosso Faculdade é contrária ao REUNi/Uninova e não aderiu a ele, principalmente por conta Transformação Curricular. Quer saber como é que vai ser para a Transformação com o REUNI implementado em 2009? Muito pior se essa galera estiver no DCE.

8) Eles apoiaram e defenderam a FBC – e o roubo de mais de R$ 40.000.000,00, a discriminação dos pacientes do SUS, a não-utilização dos recursos terapêuticos necessários e disponíveis nos pacientes SUS, e sim nos de convênio, a dupla cobrança, etc – do princípio ao fim do processo de expulsão da Fundação.

9) Tentaram, durante a Ocupação da Reitoria de 2007, descaracterizar e boicotar o movimento, apoiando o reitor mesmo quando o mesmo autorizou a invasão e a ação violenta da Polícia Federal, que resultou na prisão de 04 estudantes, inclusive a de uma colega nossa (Luciana Barboza, 10º semestre).

10) Durante as manifestações deste ano por mais segurança na UFBA (após o estupro de uma colega nossa, estudante de Dança), transformaram as mobilizações num verdadeiro carnaval, com direito a trio elétrico e tudo o mais, desrespeitando o sentimento de indignação, luto, revolta e solidariedade dos manifestantes pelo acontecido e desviando o propósito das mobilizações, que era em prol da garantia de segurança já, para dar a entender que a UNE estava "comandando" as manifestações.

Se você concorda que essa galera não nos representa, NÃO SEJA OMISSO!

VOTE CONTRA A CHAPA 1!!

Como fazer isso?

Simples: se informe das propostas das outras chapas e vote! Participe do Processo. O voto dos estudantes de Medicina sempre teve muito peso nas eleições do DCE – As urnas da nossa faculdade equivalem, freqüentemente, a 10% do total de votos. Você realmente pode ajudar a decidir o resultado final desse processo.

NÃO DÊ ESSE MOLE.

sábado, 28 de julho de 2007

2) É nóis na fita!





Dois de Julho também é dia de lutar

contra a Universidade Nova!

[Daniel Caribé – Militante d@ Comuna]
[Luamorena Leoni - Militante do DAMED]

Estudantes de Medicina, da Universidade Federal da Bahia, saem às ruas no Dois de Julho, dia da Independência do estado, para protestar contra a Universidade Nova. De forma irreverente e com muita animação, chamaram a atenção da população com paródias de músicas e ataques à reitoria.




Dois de Julho é o dia em que o povo baiano relembra sua libertação do colonialismo. Após o tranqüilo 7 de Setembro em 1822, em diversas partes do país se desencadearam lutas que buscavam confirmar a emancipação do Brasil. Mas foi quase um ano depois, no dois de Julho de 1823, que o proletariado baiano (ou a camada da população que mais a frente formaria um) viria a derrotar definitivamente o antigo colonialismo nas batalhas que se estenderam pela região que forma hoje o Recôncavo Baiano e a periferia da cidade de Salvador.

E, ainda que as elites soteropolitanas tentem, a cada novo 2 de Julho, alienar o valor histórico desta data e impor-lhe um outro valor que não o da luta, o povo sempre volta às ruas para reafirmar que a sua libertação ainda não é finda, e mostrar aos que vivem da exploração do trabalho alheio que, assim como não há o fim da história, não houve o "fim do jogo".

"Ele, ele, é traidoooor! É traidoooor! É TRAIDOR!"



Este ano, derrotado o carlismo nas últimas eleições, tudo indicava que seria uma grande festa dos petistas. Porém, os fatos dos últimos dias, principalmente a persistência da greve dos professores do ensino público, mostraram que as práticas de autoritarismo e descaso continuam vivas naqueles que detêm o poder do Estado.

Em quase toda a primeira parte do trajeto, que vai da Lapinha ao Terreiro de Jesus (principal praça do Pelourinho), o governador Jacques Wagner foi recebido com vaias pela população. Foi a forma que os baianos descobriram para dizer que vencidas várias batalhas, dos portugueses ao carlismo, o governo do PT só representa o continuísmo.

O PT, que durante muito tempo desfilou o percurso achando-se a encarnação dos Heróis da Independência, teve, este ano, um "tratamento diferenciado" – prova de que para os trabalhadores, cada vez mais, Estado e luta não combinam. Enquanto os petistas e seus novos aliados eram vaiados pela população, a maior ala do desfile, vestida toda de preto, recebia os aplausos por onde passava: eram os professores do estado que há 55 dias resistem em greve, mesmo tendo os salários cortados pelo governo. A resposta à criminalização dos docentes estaduais, encampada pela imprensa carlista e pelo governo Wagner, foi dada nas ruas!

Estudantes de Medicina contra a Universidade Nova e a Universidade Livre!


Mas o 2 de Julho foi dia também de protestar contra a Universidade Nova. Estudantes de medicina, da Universidade Federal da Bahia, organizaram a sua própria ala e durante todo o trajeto desfilaram de forma irreverente e politizada, protestando contra o Universidade Nova e seus sub-projetos.

Um destes sub-projetos, a "Universidade Livre", representa, apesar do nome, a rendição física da universidade ao capital internacional – a nova política de extensão da Universidade Federal da Bahia, se redefinida a partir deste projeto, terá como público-alvo prioritário os "parceiros do hemisfério Norte". Trocando em miúdos, a idéia é oferecer cursos pagos durante os verões do Sul e do Norte para estudantes estrangeiros – para tal, a verba destinada à recuperação do prédio da Faculdade de Medicina (o de maior área de todo o Pelourinho!) seria direcionada para adaptar a estrutura física às necessidades da clientela internacional: criação de um café, restaurante, mirante, passarela, mini-shopping e, como não poderia deixar de ser, um “mini-albergue”.

Dentre os "parceiros do Hemisfério Sul" destacam-se o Instituto de Hospitalidade – instituição que busca organizar o acolhimento de Salvador aos turistas nacionais e internacionais – Bancos e empresas em geral. Vale frisar que os planos do Instituto de Hospitalidade para o prédio da FAMEB no Terreiro de Jesus não datam de agora, e que o seu conselho diretor tem uma composição muito sugestiva – a ODEBRECHT (empreiteira soteropolitana/reduto carlista), Gol Linhas Aéreas e, como não poderia deixar de ser, o prof. Naomar Monteiro de Almeida Filho, o Rei-Thor da UFBA. A alusão a ACM não é mera coincidência – não podemos esquecer a mágica da revitalização do pelourinho, realizada durante o governo dele, na década de 90: feita para os turistas. À população preta e pobre do pelourinho, despejada de suas próprias casas, restou o apartheid e o "jeitinho brasileiro", coisa de quem nasce e a primeira coisa que aprende é a resistir – Ò PAÍ, Ó!


"Êta! Êta, Êta, Êta! Essa UniNova é coisa de Picareta!"



Além de serem contra a neo-colonização dos prédios da UFBA – reflexo físico da colonização do conhecimento produzido aqui, já em curso, e que tem no REUNI, a UniNova imposta por Lula, a sua expressão objetiva - os estudantes de medicina também colocaram em xeque os Bacharelados Interdisciplinares, a falácia do fim do vestibular. Demonstraram, com as suas paródias, consciência de quem ganha e quem perde com a esse projeto:

"No BI a turma é grande, mas a educação é pequena"

e reafirmaram que não querem nem a Universidade Nova, nem a velha, mas uma universidade ligada às demandas dos trabalhadores:





"Se ligue meu irmão,
Não aceitamos a imposição:
Qualquer mudança
tem que vir do povo,

Isso nós não largamos de mão!"



A Manifestação terminou no Terreiro de Jesus: os estudantes aproveitaram que a primeira parte do desfile terminava exatamente em frente ao prédio da FAMEB no Pelourinho e estenderam suas faixas para reafirmar publicamente que há resistência aos planos do Reitor Naomar, coisa que vêm fazendo desde o dia 20/06 (quando paralisaram as atividades acadêmicas e fizeram uma passeata dentro do campus do Canela cujo fim foi a Reitoria da UFBA).

1) É nóis na fita!

Nota do DCE-UESB:
2 de julho de LUTO e LUTAS
Dia da independência da Bahia é marcado por protestos contra os descasos do governo petista

Com a derrota do Carlismo e seus 16 anos de dominação e exploração do povo baiano, aqueles que ainda acreditavam na possibilidade de uma Bahia independente sob o novo governo de Jaques Wagner, viram-se golpeados em apenas 6 meses de mandato do representante petista no Estado. No último dia dois de julho, data que marca a expulsão dos colonizadores portugueses e que muitos comemoram através de um desfile civil e militar a independência da Bahia, partidos políticos, sindicatos, movimentos populares, movimentos dos professores, movimentos estudantis, como os estudantes de Medicina da UFBA, os DCE’s da UESB de Vitória da Conquista e UEFS, além do Coletivo CAUS da UNEB saíram nas ruas de Salvador em defesa da universidade pública, de qualidade e com compromisso social. Enquanto setores governistas tornavam patente a descaracterização do dois de julho com um dia de luto e luta ao tentarem maquiar, sob um forte aparato, as ações desastrosas do governo, inúmeras categorias profissionais também aproveitaram a data para protestar contra as péssimas condições de vida e trabalho a que estão submetidos. Para além da ala governista que assistiu Jaques Wagner ser vaiado em diversos trechos do percurso, que vai da Lapinha ao Terreiro de Jesus, o Cortejo de Dois de julho foi marcado por um massivo protesto contra o neocolonialismo do PT na Bahia, demonstrado pela capacidade do governo Wagner de relançar o “velho” sob a aparência do “novo” através do aprofundamento de antigas práticas carlistas, como a criminalização do movimento grevista dos professores do ensino público, a difamação e a precarização do trabalho docente.

Cartazes, bandeiras e faixas, além de palavras de ordem - governo Wagner de terrorismo, cortar salário é coisa do Carlismo - fizeram o contraponto denunciando as medidas implementadas no Estado e que são cópias fiéis ao modo petista de governar o país: desorganizar, reprimir. Um exemplo claro desse tipo de prática foi a instalação da Mesa de Negociação Permanente pelo governador Jaques Wagner que, repetindo o que aconteceu a título federal, dissolveu-a logo em seguida, adotando a tática de dividir para melhor impor sua política de reajuste zero aos servidores do funcionalismo público estadual. Além disso, foi denunciada pelos professores a forma autoritária e truculenta com que o governo vem tratando os trabalhadores da educação, exemplificada por ações como a do dia 9 de maio, quando a polícia foi acionada para impedir a manifestação dos docentes das universidades estaduais. Também foi destacada durante o protesto a utilização da justiça pelo governo, outro instrumento de manutenção da ordem burguesa, para impor ao sindicato dos professores do ensino básico uma multa de R$ 20 mil diários e o recente corte de salário dos professores universitários em greve.

O movimento estudantil combativo da Bahia que não faz coro com o governismo e as burocracias estudantis, seguiu todo o percurso denunciando o descaso de Jaques Wagner com a educação e a forma descabida com que a categoria vem sendo tratada. Afinal, governo insiste em fazer vistas grossas com relação ao desenvolvimento de uma política de assistência estudantil; por isso os estudantes foram rejeitados na composição da mesa que irá tratar de questões relacionadas ao ensino público superior, além de não terem sido convocados para nenhum encaminhamento de pauta junto à Secretaria de Educação ou à Coordenação de Desenvolvimento do Ensino Superior. Como a política educacional de Wagner é apenas uma mostra do projeto de destruição do ensino público superior engendrado pelo governo Lula, os estudantes de Medicina da UFBA também aderiram com força o protesto e de forma irreverente denunciaram o projeto “Universidade Nova”: mais uma cartada do FMI e de Lula de cunho empresarial e que tem como autor o porta voz oficial do presidente e “Rei-Thor” da UFBA, Naomar Monteiro de Almeida Filho.

O dia dois de julho evidenciou que se restavam dúvidas sobre a natureza do governo Wagner, elas parecem ter sido dissipadas em apenas 6 meses por suas ações de caráter pró-imperialista e anti-popular. Nesse momento de reação de diversas entidades nacionais que não apóiam o governo Lula e se posicionam contra as suas reformas, também é necessário e urgente nos organizarmos estadualmente para sermos conseqüentes em nossa luta e sairmos vitoriosos, tendo em vista o alinhamento do governo Wagner ao projeto nacional de desenvolvimento que vem sendo implementado por Lula: o aprofundamento da agenda neoliberal apresentado sob a aparência de um projeto democrático - popular.

Vitória da Conquista, 8 de Julho de 2007.


DCE UESB - Vitória da Conquista/BA
Gestão: DCE EM MOVIMENTO

domingo, 1 de julho de 2007

CANTIGAS PRO 2 DE JULHO


SAMBADINHA DO B.I.

Refrão:

UniNova finge que é a solução
Mas piora o acesso a educação

UniNova pra enganar o povão

Só piora o acesso a educação


Se o que cê quer

É ser dotô

tem que passar

pelo B.I.

(2 X)


Entra através do ENEM:
o Vestibular não acaba não...
Chimba durante 3 anos

E se não "der sorte"
Sai formado em nada, Negão!!

Repete o Refrão



________


" O CANTO DA CIDADE"

Refrão:


Quem banca essa birosca sou eu!

Esse conhecimento é meu!

Se o gringo chega aqui

Querendo conhecer nossa cidade
bonita
Que fique num hotel
E não num prédio da Universidade

Isso não se explica!

UôÔ

Extensão no Pelô
UôÔ
É com o povo, reitor!
UôÔ
Cê vai ter que entender
UôÔ
O que eu vou lhe dizer

Repete o Refrão